Curto rock e quem me conhece sabe disso muito bem. Dos mais pesados aos mais leves, sem preconceitos. É por isso que tive esse insight e comecei a observar que a maioria das bandas de rock brasileiras teve que explicar as origens de seus nomes. Vi, inúmeras vezes, Serginho Groissman repetir, ou deixar alguém repetir, a célebre pergunta : “Gostaria de saber, por que esse nome na banda?”.
Já vi Humberto Gessinger, por exemplo, explicar a razão do nome Engenheiros do Hawaii umas trezentas e vinte e dez mil vezes. O mesmo aconteceu com Charlie Brown Jr., Biquíni Cavadão, Paralamas do Sucesso, dentre outras. Fiz uma recapitulação de tudo que já vi sobre a música baiana e não me recordei, exatamente, de nenhuma pergunta sobre a origem do nome da banda para essas bandas de nomes extremamente esdrúxulos. Resolvi citar alguns nomes que, sem têm algo interessante, é o lado inusitado.
Vou começar com uma que permitiu que minha mentalidade mórbida remetesse à mutilação: Pedaço de Cada Um. Eu comecei a imaginar a banda tocando no Paquistão após algum ataque com carro-bomba.
Não sei o que deu em mim que comecei a pesquisar mais nomes esquisitos de bandas baianas. A pesquisa só durou alguns minutos. Eu não encheria minhas linhas de tanto lixo cultural. Acho que um espetáculo teatral já fez algo semelhante, abordando a poesia cantada nos versos mais vogais. Era a NPB, Novíssima Poesia Baiana. Vou me arriscar a dizer que foi produzido pela Cia Baiana de Patifaria, mas “posso estar completamente enganado”; “a dúvida é o preço da pureza, pois é inútil ter certeza”.
Voadois me desafia; Capitão Axé parece ser o super-herói da música baiana; Saiddy Bamba é um atentado à boa grafia do português, além de sempre ler o primeiro nome como se estivesse falando de um árabe. É O Tchan, misericórdia, como dizia minha avó, parece propaganda de barbeador. Chinelada deve representar algo bem baixo. Fechem seus ouvidos, moralistas! E por aí vão: Saravada, Psirico, Guig Ghetto, Samba Eu, Você e sua Mãe, Receba a Galinha Pulando...
Eu confesso ser um ignorante no pagodão da Bahia e no axé music em geral, mas esses nomes são, no mínimo, engraçados; têm o poder de entreter e ficam “na boca da galera”.
Temporada de ensaios
Essa é uma piada recorrente quando o verão começa a se aproximar. Nem bem a primavera vai embora e os ensaios começam, mas as bandas nunca estréiam. Eu que suo “como quê” num porão fechado e com o reboco caindo aos pedaços, não posso chamar o que eu faço de ensaios. Faço shows particulares para os roadies e amigos da banda. Outro dia fui dizer ao amigo:
- Cole, véi! Fui pro ensaio ontem... e você, o que fez?
- To dizendo que você se rendeu ao produto desta nefasta Indústria Cultural feita na Bahia...to dizendo...é assim, começa bem na revolução, mas depois se vende por qualquer show ou rabo-de-vaca de passa e dá um mole.
Eu tentei acalma-lo e até que deu certo. Ele pensou, na hora em que eu proferi a palavra mágica, que eu tinha ido ver o Xanddynho dançando “agachadinho, agachadinho...” Falando nesse cara, ele virou evangélico? Será que vai convencer a bispa Sônia a dançar o “Vem neném”?
